PCP

Como avaliar um sistema de PCP antes de contratar

Para avaliar um sistema de PCP, teste-o com produtos, roteiros e restrições reais da fábrica. Veja o que preparar, o que pedir na demonstração e quais respostas merecem atenção.

Um sistema de PCP (planejamento e controle da produção) só pode ser avaliado de verdade com os dados da sua fábrica. Antes de contratar, prepare alguns produtos reais com estrutura, roteiro e tempos, e peça ao fornecedor que mostre o planejamento e o apontamento desses produtos. Telas genéricas dizem pouco sobre como o sistema vai se comportar no seu chão de fábrica.

Entenda que tipo de produção a empresa tem

PCP não é igual para todas as indústrias. Antes de olhar sistemas, descreva:

  • Se a produção é sob encomenda, para estoque ou uma mistura das duas.
  • Se é discreta (peças e montagens) ou por processo (misturas, receitas, bateladas).
  • Quantos níveis tem a estrutura dos produtos e com que frequência ela muda.
  • Quais são os gargalos: máquinas, pessoas, setup, materiais, terceiros.

Um sistema muito bom para montagem sob encomenda pode ser inadequado para produção contínua, e o contrário também acontece.

Prepare um caso de teste

Escolha de dois a quatro produtos representativos, incluindo pelo menos um difícil. Para cada um, reúna:

  • A estrutura de produto, com componentes e quantidades.
  • O roteiro de fabricação, com operações, centros de trabalho e tempos.
  • As perdas usuais e as regras de lote.
  • Uma carteira de pedidos de exemplo, com datas.

Exemplo. Uma fábrica de móveis pode levar à demonstração um armário padrão, um armário com medidas especiais e um item que depende de pintura terceirizada. O terceiro caso mostra se o sistema trata operações externas, prazos de retorno e o material que sai da fábrica sem estar vendido.

O que pedir na demonstração

  • Cadastro de um dos produtos de teste, ao vivo ou já preparado com os seus dados.
  • Cálculo da necessidade de materiais a partir dos pedidos.
  • Geração das ordens de produção e de compra sugeridas.
  • Visão de carga das máquinas ou setores. O sistema considera capacidade limitada ou apenas soma as horas?
  • Reprogramação: o que acontece quando um pedido urgente entra ou uma máquina para?
  • Apontamento de produção: como o operador informa início, fim, quantidade boa e refugo?
  • Consumo de materiais e atualização do estoque.

Integrações que importam

O PCP depende de informações de outras áreas. Pergunte como o sistema recebe pedidos de venda, consulta saldos de estoque, gera necessidades de compra e envia custos para o financeiro. Se o PCP for um sistema separado do ERP (sistema integrado de gestão), descubra quem mantém essa integração e o que acontece quando um dos dois é atualizado.

Respostas que merecem atenção

  • "O planejamento fino a gente faz em planilha mesmo." Pode ser aceitável, desde que a empresa saiba disso antes de contratar.
  • "Na implantação a gente ajusta." Peça que mostre como, com os seus produtos.
  • "O sistema faz programação com capacidade finita." Peça para ver, com um gargalo real.

Os dados vão definir o resultado

O PCP é tão bom quanto a estrutura, os roteiros e os tempos cadastrados. Se hoje essas informações estão incompletas ou espalhadas, o esforço de organizá-las precisa entrar no plano e no cronograma. Veja como se preparar em como preparar a empresa para implantar um novo sistema.