Sistema PDV para varejo: o que é, recursos por segmento e como escolher
Guia sobre sistema PDV para varejo: o que compõe um ponto de venda, recursos por tipo de loja, integração com estoque e retaguarda, várias lojas, indicadores, custos e como trocar o sistema sem parar as vendas.
Um sistema PDV (ponto de venda) para varejo é o software do caixa da loja: registra a venda, recebe o pagamento, emite o documento fiscal ao consumidor e fecha o caixa no fim do turno. No varejo, ele é a parte do sistema que o cliente vê funcionando, e por isso precisa ser rápido, simples para o operador e confiável mesmo quando a internet cai. Por trás do caixa, o PDV depende de uma retaguarda bem organizada, com preços, estoque e financeiro integrados.
Este guia explica o que compõe um sistema PDV, que recursos variam conforme o tipo de loja, como ele se liga ao restante da gestão e o que avaliar antes de escolher.
O que compõe um sistema PDV
Um PDV no varejo é mais do que um programa. Ele reúne quatro partes:
- Software de caixa, usado pelo operador para registrar a venda.
- Retaguarda, onde ficam produtos, preços, promoções, estoque, financeiro e relatórios. Pode ser parte do mesmo sistema ou um ERP (sistema integrado de gestão) integrado.
- Equipamentos, como computador ou terminal, leitor de código de barras, impressora, gaveta, balança e maquininha de cartão.
- Documento fiscal, emitido a cada venda conforme as regras do estado.
Em muitos estados, o documento fiscal das vendas ao consumidor é a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), descrita pela Receita Estadual do Rio Grande do Sul como um documento de existência apenas digital, usado nas vendas presenciais ou com entrega em domicílio ao consumidor final (fonte: Receita Estadual RS). As exigências variam por estado e por regime tributário. Confirme com o contador o que se aplica à sua loja.
Recursos essenciais em qualquer loja
- Venda por leitura de código de barras e por busca de produto.
- Descontos no item e no total, com limite por operador e autorização do gerente.
- Várias formas de pagamento na mesma venda, com cartão integrado à maquininha.
- Trocas, devoluções e cancelamentos com registro de motivo e responsável.
- Funcionamento quando a internet cai, com envio posterior das vendas e dos documentos pendentes.
- Abertura, sangria, suprimento e fechamento com conferência por forma de pagamento.
- Baixa automática no estoque e envio das vendas ao financeiro.
Para testar cada um desses pontos no próprio caixa, use o roteiro de o que conferir em um sistema de PDV.
Recursos que mudam conforme o tipo de varejo
Cada segmento tem necessidades próprias. A lista abaixo ajuda a montar os requisitos, mas não substitui a descrição da rotina da sua loja.
| Tipo de loja | Recursos que costumam pesar |
|---|---|
| Supermercado e mercearia | Balança integrada, produtos pesáveis, muitos caixas, promoções por quantidade, velocidade na fila |
| Moda e calçados | Grade de cor e tamanho, trocas frequentes, vale-troca, vendedor por venda e comissão |
| Materiais de construção | Venda por metro, fração e quilo, orçamento antes da venda, entrega futura, retirada em depósito |
| Farmácia e perfumaria | Lote e validade, programas de desconto, exigências regulatórias próprias do segmento |
| Papelaria, presentes e utilidades | Muitos itens com preço baixo, sazonalidade, cadastro rápido de produtos |
| Loja com venda online | Estoque compartilhado com a loja virtual, retirada na loja, troca de compra feita na internet |
Segmentos regulados podem ter obrigações específicas além das fiscais. Verifique-as com o contador e com a entidade do setor antes de definir os requisitos.
Exemplo. Uma loja de materiais de construção faz muitas vendas a partir de orçamento: o vendedor monta o pedido no balcão, o cliente aprova e paga no caixa, e parte da mercadoria é retirada no depósito no dia seguinte. Para essa loja, o PDV precisa receber o orçamento pronto, emitir o documento fiscal e registrar a entrega futura, sem que o operador redigite os itens. Em uma loja de roupas, o ponto crítico seria outro: grade de tamanhos e trocas.
Várias lojas
Redes e lojas com filiais precisam de recursos de gestão centralizada:
- Cadastro e preços definidos na retaguarda e enviados aos caixas de todas as lojas.
- Promoções por loja, região ou período.
- Estoque por loja e transferências entre elas.
- Consulta do estoque de outras lojas no caixa.
- Relatórios consolidados e por loja.
Pergunte com que frequência os dados são sincronizados entre caixas, lojas e retaguarda, e o que acontece quando uma loja fica sem conexão.
PDV e controle de estoque
O PDV dá baixa nos produtos vendidos, mas não controla o estoque sozinho. Entradas de mercadoria, transferências, perdas e inventários precisam ser registrados na retaguarda. Quando isso falha, aparecem os problemas clássicos do varejo: produto que o sistema diz ter e a prateleira não, ou saldo negativo no estoque. O guia sistema de controle de estoque explica como essas duas partes se completam.
Indicadores que o PDV ajuda a acompanhar
| Indicador | O que mostra |
|---|---|
| Ticket médio | Valor médio de cada venda |
| Itens por venda | Quantos produtos, em média, cada cliente leva |
| Vendas por hora | Horários de pico, útil para escala de operadores |
| Cancelamentos e descontos por operador | Pontos de atenção no caixa |
| Diferenças de caixa | Divergência entre o registrado e o conferido no fechamento |
| Vendas por forma de pagamento | Base para a conciliação com as operadoras de cartão |
O que compõe o custo
- Licença ou mensalidade, muitas vezes por caixa ou por loja.
- Retaguarda ou ERP, quando cobrados à parte.
- Equipamentos e sua manutenção.
- Implantação, cadastro de produtos e treinamento.
- Integrações com maquininhas, loja virtual e programas de fidelidade.
- Suporte em horário de loja, inclusive fins de semana.
Compare o custo de um mesmo período entre as propostas, como explicado em como comparar propostas de sistemas.
Como escolher um sistema PDV para varejo
- Descreva a rotina da loja, com os casos que mais aparecem no caixa e no balcão.
- Defina os requisitos do segmento, usando a tabela acima como ponto de partida.
- Confirme as exigências fiscais do estado com o contador.
- Teste no caixa, com um operador da loja e produtos reais, incluindo a queda da internet.
- Verifique a retaguarda: preços, promoções, estoque e relatórios.
- Confira os equipamentos homologados antes de comprar qualquer coisa.
- Compare propostas pelo custo total.
Como trocar o sistema sem parar as vendas
A troca do PDV mexe com a operação de todos os dias. Alguns cuidados reduzem o risco:
- Escolha uma data fora dos períodos de maior movimento.
- Faça a troca depois do fechamento, com o cadastro de produtos e preços já conferido.
- Confira o saldo de estoque com um inventário perto da data.
- Treine os operadores no sistema novo antes da troca, com produtos da loja.
- Tenha um plano para vender em contingência e para lançar essas vendas depois.
- Em redes, considere trocar uma loja primeiro e depois as demais.
O artigo qual é o melhor momento para trocar de sistema traz um exemplo de troca feita em uma loja depois do fechamento de domingo.
Erros comuns
- Escolher pela tela de relatórios, e não pela operação do caixa.
- Não testar a queda da internet.
- Comprar equipamentos antes de confirmar a compatibilidade.
- Esperar que o PDV resolva um estoque desorganizado por outros motivos.
- Ignorar as necessidades do segmento, como grade, balança ou entrega futura.
- Não confirmar com o contador quais documentos fiscais a loja precisa emitir.
Perguntas frequentes
PDV e ERP são a mesma coisa?
Não. O PDV cuida da venda no caixa. O ERP cuida da retaguarda: compras, estoque, fiscal e financeiro. Alguns fornecedores oferecem os dois no mesmo sistema; outros integram um PDV a um ERP. Veja a página sobre PDV.
Dá para usar o PDV em tablet ou celular?
Muitos sistemas oferecem PDV móvel, útil para filas, feiras e venda assistida. Confirme como ficam a emissão do documento fiscal, a impressão e o pagamento nesses aparelhos.
PDV na nuvem funciona sem internet?
Depende do sistema. Pergunte se o caixa continua vendendo sem conexão, onde as vendas ficam guardadas e como são enviadas depois. Teste isso na demonstração.
Em resumo
Um bom sistema PDV para varejo é rápido no caixa, continua funcionando sem internet, emite o documento fiscal correto e conversa com estoque e financeiro sem redigitação. Os recursos certos dependem do tipo de loja. Por isso, a escolha começa pela rotina do seu caixa e termina com um teste feito por quem atende o cliente todos os dias.